Mercredi 11 juin 2008
«A comunicação não existe jamais em outro lugar que não seja na ação comum. E os mais surpreendentes exageros da incompreensão estão, assim, ligados ao excesso de não-intervenção.»
Considero esse texto um dos mais importantes da reflexão situacionista. Publicado na IS no 7 (abril de 1962, p. 20-24), Comunicação prioritária retoma (ao lado de All the King’s men e O sentido do deperecimento da arte) a discussão da vanguarda histórica sobre a linguagem, encaminhando-a no sentido do gravíssimo e central problema dos nossos tempos: o da comunicação prática. É por essa via que os situacionistas buscam retomar, nas condições do capitalismo espetacular, as ligações históricas da vanguarda do entreguerras com as experiências dialogais dos conselhos operários no primeiro quarto do século 20. Nesse texto, eles retomam também a oposição entre informação e comunicação, que motivou alguns textos de Walter Benjamin. E, antes dos «filósofos de 68» (aqueles que só se tornaram tais depois de 68, surfando em seu «sucesso» acadêmico-midiático), preparam já o anúncio — que farão depois em All the King’s men — da necessidade de redes, de soviets de comunicação prática federados: «Um dos problemas revolucionários consiste em federar esses tipos de soviets, de conselhos da comunicação, a fim de inaugurar em todo lugar uma comunicação direta que não tenha mais que recorrer à rede da comunicação do adversário (isto é, à linguagem do poder) e possa, assim, transformar o mundo segundo seu desejo.»

A questão do poder é tão bem escondida, nas teorias sociológicas e culturais, que os especialistas podem derramar tinta em milhares de páginas sobre a comunicação ou os meios de comunicação de massa na sociedade moderna, sem jamais observar que a comunicação da qual eles falam é de mão única, os consumidores de comunicação não tendo nada a responder. Na pretensa comunicação, há uma rigorosa divisão de tarefas, que recorta finalmente a divisão mais geral entre organizadores e consumidores do tempo na sociedade industrial (o qual integra e enforma o conjunto do trabalho e dos lazeres). Aquele que não é incomodado pela tirania exercida sobre sua vida neste nível, não compreende nada da sociedade atual; e se encontra, portanto, perfeitamente qualificado a pintar, da sociedade atual, todos os afrescos sociológicos. Todos aqueles que se inquietam ou se maravilham diante desta cultura de massa que, através dos mass-media, unificados planetariamente, cultiva as massas e, ao mesmo tempo, «massifica» a «alta cultura», esquecem somente que a cultura, mesmo alta, está agora enterrada nos museus, inclusive suas manifestações de revolta e de autodestruição. E que as massas — das quais, finalmente, todos somos — são mantidas fora da vida (da participação da vida), fora da ação livre: em subsistência, no modo do espetáculo. A lei atual é que todo mundo consuma a maior quantidade possível de nada; inclusive mesmo o nada respeitável da velha cultura perfeitamente separada de sua significação original (o cretinismo progressista se enternecerá sempre ao ver o teatro de Racine televisado, ou os Yakoutes lerem Balzac: justamente, ele não consideraria outro progresso humano).

A noção reveladora do bombardeamento de informações deve ser entendida em seu sentido mais largo. Hoje, a população é submetida permanentemente a um bombardeio de imbecilidades que não é de modo algum dependente dos mass-media. E, sobretudo, nada seria mais falso, mais digno da esquerda antediluviana do que imaginar esses mass-media em concorrência com outras esferas da vida social moderna na quais os problemas reais das pessoas seriam seriamente postos. A Universidade, as Igrejas, as convenções da política tradicional ou a arquitetura emitem também fortemente a xiado de incoerentes trivialidades que tenderá, anárquica mas imperativamente, a modelar todas as atitudes da vida cotidiana (como vestir-se, quem encontrar, como contentar-se). Qualquer um dos sociólogos da «comunicação», para quem a idéia banal de efeito infalível será a de opor a alienação do empregado dos mass-media à satisfação do artista, este podendo se identificar à sua obra e se justificar por ela, não fará nada a não ser expor sempre sua incapacidade eufórica de conceber a alienação artística, ela mesma.

A teoria da informação ignora, logo de cara, o principal poder da linguagem, que é o de se combater e de se ultrapassar, em seu nível poético. Uma escrita que tende ao vazio, à neutralidade perfeita do conteúdo e da forma, pode apenas se desenvolver em função de uma experimentação matemática (como a «literatura potencial» que é o ponto final da longa página branca escrita por Queneau). Apesar das soberbas hipóteses de uma «poética informacional» (Abraham Moles), a enternecedora segurança de seus contra-sensos sobre Schwitters ou Tzara, os técnicos da linguagem não compreenderão jamais senão a linguagem da técnica. Eles não sabem o que julga tudo isso.

Considerada em toda sua riqueza, a propósito do conjunto da práxis humana e não a propósito da aceleração das operações de contas correntes postais pelo uso dos cartões perfurados, a comunicação não existe jamais em outro lugar que não seja na ação comum. E os mais surpreendentes exageros da incompreensão estão, assim, ligados ao excesso de não-intervenção. Nenhum exemplo poderia ser mais claro que a longa e lamentável história da esquerda francesa diante da insurreição popular na Argélia. A prova de morte da antiga política, na França, foi dada não somente pela abstenção da quase-totalidade dos trabalhadores, mas mais ainda, sem dúvida, pela tolice política da minoria resolvida a agir: assim, as ilusões de militantes de extrema-esquerda acerca da «frente popular» podem ser qualificadas de ilusões ao décimo grau, pois, em primeiro lugar, esta fórmula era rigorosamente impraticável neste período, mas, também, ela tinha largamente provado desde 1936 que era uma arma contra-revolucionária particularmente segura. Se as mistificações das velhas organizações políticas revelaram aqui seu desmoronamento, nenhuma política nova surgiu. Com efeito, o problema argelino aparecia como um dos arcaísmos franceses, na medida em que a principal tendência na França é a ascensão ao standing do capitalismo moderno. Os fenômenos ainda inoficiais, «selvagens», de decepção e de recusa que acompanham este desenvolvimento não se consideravam em nada ligados à luta dos argelinos subdesenvolvidos. Para quem não distingue no futuro a realidade de uma contestação radical comum, a comunidade de interesses aparentemente tão diferentes hoje se funda somente no imperativo das lembranças (o que fazia — e, mais freqüentemente, o que deveria fazer — o antigo movimento operário para apoiar os explorados das colônias). De modo que alguns reflexos tornados eles mesmos arcaicos, portanto, abstratos, constituíam a única solidariedade considerada: era aguardar que esta eterna esquerda francesa mitológica, PC-PSU-SFIO, e o GPRA se comportassem (consideradas suas diversas «inabilidades» ou «traições») como duas seções da IIIª Internacional. Tudo o que sobreveio desde 1920 parece, no entanto, mostrar que uma crítica fundamental destas soluções é inevitável em todo lugar; e diretamente posta para os argelinos, forçosamente, em razão sua atual luta armada. A solidariedade internacionalista, se não é degradada em moralismo de cristãos de esquerda, apenas pode ser uma solidariedade entre os revolucionários dos dois países. Isto supõe evidentemente que na França eles existam; e, na Argélia, que se distingam seus interesses no futuro próximo, quando a atual frente nacional estará diante da escolha sobre a natureza de seu poder.

As pessoas que procuravam levar adiante uma ação de vanguarda na França, nesse período, foram divididas entre, de um lado, seu medo de se separarem totalmente das antigas comunidades políticas (embora soubessem de seu grau de glaciação avançada) e, em todo caso, de sua linguagem; e, de outro lado, um certo desprezo pela emoção real de alguns setores — os estudantes, por exemplo — interessados na luta contra o extremismo colonialista, por causa da complacência que ali se manifestava com relação a uma antologia dos arcaísmos políticos (unidade de ação sem exclusividade contra o fascismo etc.).

Nenhum grupo soube utilizar essa ocasião, de uma maneira exemplar, ligando o programa máximo da revolta virtual da sociedade capitalista a um programa máximo da revolta atual dos colonizados; o que se explica, naturalmente, pela fraqueza de tais grupos, mas esta fraqueza mesma não deve jamais ser considerada como uma desculpa: bem ao contrário, como um defeito de funcionamento e de rigor. Não é concebível que uma organização que represente a contestação vivida pelas pessoas e que sabe lhes falar dela, fique frágil; ainda que ela fosse duramente reprimida.

A separação completa dos trabalhadores da França e da Argélia, da qual é preciso compreender que não estava principalmente no espaço, mas no tempo, levou a este delírio da informação, mesmo «de esquerda», que fez com que no dia seguinte ao 8 de fevereiro, em que a polícia matou 8 manifestantes franceses, os jornais falassem dos choques mais sangrentos constatados em Paris desde 1934, sem mais pensar que, menos de quatro meses antes, os manifestantes argelinos de 18 de outubro tinham sido ali massacrados às dezenas. Ou que permitiu a um «Comitê antifascista do bairro Saint-Germain-des-Prés», em março, escrever num cartaz: «O povo francês e o povo argelino impuseram a negociação…», sem se incomodar pelo ridículo desta enumeração destas duas forças, e nesta ordem.

Num momento em que a realidade da comunicação está tão profundamente apodrecida, não é surpreendente que se desenvolva em sociologia o estudo mineralógico das comunicações petrificadas. Nem que, na arte, a canalha neodadaísta redescubra a importância do movimento Dadá como positividade formal a explorar ainda, após tantas outras correntes modernistas que, dele, já adotaram o que podiam desde os anos 20. Esforça-se por fazer esquecer o quanto o dadaísmo autêntico foi aquele da Alemanha e até que ponto ele esteve ligado à ascensão da revolução alemã após o armistício de 1918. A necessidade de uma tal ligação não mudou para quem traz hoje uma posição cultural nova. Simplesmente, é preciso descobrir este novo ao mesmo tempo na arte e na política.

A simples anticomunicação emprestada hoje do dadaísmo, pelos mais reacionários defensores das mentiras estabelecidas, é sem valor numa época em que a urgência é a de criar, no nível mais simples como no mais complexo da prática, uma nova comunicação. A continuição mais digna do dadaísmo, sua legítima sucessão, é preciso reconhecê-la no Congo do verão de 1960. A revolta espontânea de um povo mantido, mais do que em qualquer lugar, na infância, no momento em que cambaleou a racionalidade, ali mais estrangeira do que em qualquer lugar, de sua exploração, soube desviar [détourner] imediatamente a linguagem exterior dos senhores para poesia e modo de ação. Convém fazer, respeitosamente, o estudo da expressão dos congoleses nesse período, para aí reconhecer a grandeza e a eficácia — cf. o papel do poeta [Patrice] Lumumba — da única comunicação possível, que, em todos os casos, acompanha a intervenção nos acontecimentos, a transformação do mundo.

Ainda que o público seja fortemente incitado a pensar o contrário, e não somente pelos mass-media — a coerência da ação dos congoleses, enquanto não se venceu sua vanguarda, e o excelente uso que eles fizeram dos raros meios que detinham contrastam exatamente com a incoerência fundamental da organização social de todos os países desenvolvidos e sua perigosa incapacidade de encontrar um uso aceitável para seus poderes técnicos. Sartre, que é tão representativo de sua geração perdida, no sentido de que conseguiu ser, por si só, ingênuo em face de todas as mistificações entre as quais seus contemporâneos faziam sua escolha, decide repentinamente agora, em uma nota do número 2 de Méditations, que não se pode falar de uma linguagem artística dissolvida que correspondesse a um tempo de dissolução, pois «a época constrói mais do que destrói». A balança do quitandeiro pende para o mais pesado, mas é a partir de uma confusão entre construir e produzir. Sartre deve observar que há hoje sobre os mares uma mais forte tonelagem de navios que antes da guerra, apesar dos torpedeamentos; que há mais imóveis e mais automóveis, apesar dos incêndios e das colisões. Há também mais livros, já que Sartre viveu. E, no entanto, as razões de viver de uma sociedade se destruiram. As variantes que, das razões de viver, apresentavam uma mudança factícia duram somente o tempo de um chefe de polícia, e depois reencontram a dissolução geral do antigo mundo. O único trabalho útil está ainda por ser feito: reconstruir a sociedade e a vida sobre outras bases. As diversas neofilosofias das pessoas que reinaram durante tanto tempo sobre o deserto do pensamento supostamente moderno e progressista não conheciam estas bases. Seus grandes homens não irão nem mesmo ao museu, porque este será um período muito vazio para os museus. Eles se assemelhavam todos, eles eram os mesmos produtos da imensa derrota do movimento de emancipação do homem, no primeiro terço deste século. Eles aceitavam esta derrota, é o que os define exaustivamente. E até o extremo, os especialistas do erro defenderão sua especialização. Mas esses dinossauros da pseudo-explicação, agora que o clima muda, não terão mais nada a pastar. O sono da razão dialética engendrava os monstros.

Todas as idéias unilaterais sobre a comunicação eram evidentemente as idéias da comunicação unilateral. Elas correspondiam à visão de mundo e aos interesses da sociologia, da arte antiga ou dos estados-maiores da direção política. Eis aí o que vai mudar. Nós conhecemos «a incompatibilidade de nosso programa, enquanto expressão, com os meios de expressão e de recepção disponíveis» (Kotányi). Trata-se de ver ao mesmo tempo o que pode servir à comunicação e a que pode servir a comunicação. As formas de comunicação existentes e sua crise presente se compreendem e se justificam somente pela perspectiva de sua ultrapassagem. Não é preciso ter um tal respeito pela arte e pela escrita a ponto de querer abandoná-las totalmente. E não é preciso ter um tal desprezo pela história da arte ou da filosofia modernas a ponto de querer continuá-las como se nada fosse. Nosso julgamento é desiludido porque é histórico. Todo uso, para nós, dos modos de comunicação permitidos, deve, portanto, ser e não ser a recusa desta comunicação: uma comunicação que contém sua própria recusa; uma recusa que contém a comunicação, isto é, a transformação [renversement] dessa recusa em projeto positivo. Tudo isso deve levar a algum lugar. A comunicação vai agora conter sua própria crítica.

Tradução: Emiliano Aquino
POIESIS trabalho & cultura.


All the King’s men (IS no 8, janeiro de 1963)
Comunicação prioritária (IS no 7, abril de 1962) ; Communication prioritaire
Mercredi 11 juin 2008

Este texto, publicado na revista Internacional Situacionista (no 8, janeiro de 1963, p. 29-33) é teoricamente um dos mais ricos documentos da reflexão situacionista sobre a linguagem. Nele, o programa das vanguardas estéticas encontra um radical reembasamento em vista dos então novos fenômenos sociais de reificação da linguagem e da comunicação, fenômenos que, hoje, já nos são bem familiares. Ao mesmo tempo em que aponta os efeitos da expressão técnica da economia mercantil sobre a experiência social lingüístico-comunicativa, o texto insiste e aposta na potencialidade poética da linguagem e da escrita, potencialidade esta que, para os situacionistas, significa a capacidade de recriação de sentidos, de desobediência ao dado, de reinvenção do existente, na e pela linguagem. Publicado sem assinatura, sua autoria se deve, muito possivelmente, a Guy Debord, que, enquanto diretor da revista, a redigia em sua maior parte. (Esta tradução foi feita com base na seguinte edição: Internationale Situationniste 1958-1969. Texte intégral des 12 numéros de la revue. Édition augmentée. Paris: Librairie Arthème Fayard, 1997). Tradução: Emiliano Aquino (agradeço a revisão e sugestões de Sybil Safdie Douek).

O problema da linguagem está no centro de todas as lutas pela abolição ou manutenção da alienação presente; inseparável do conjunto do terreno destas lutas. Vivemos na linguagem como no ar viciado. Ao contrário do que estimam as pessoas de espírito, as palavras não brincam. Elas não fazem amor, como acreditava Breton, a não ser em sonho. As palavras trabalham para a organização dominante da vida. E contudo, elas não estão robotizadas; para a infelicidade dos teóricos da informação, as palavras não são elas mesmas «informacionistas»; nelas, manifestam-se forças que podem frustrar os cálculos. As palavras coexistem com o poder numa relação análoga àquela que os proletários (no sentido clássico, tanto quanto no sentido moderno deste termo) podem manter com o poder. Empregadas durante quase todo o tempo, utilizadas em tempo pleno, em pleno sentido e em pleno não-sentido, elas permanecem em algum lado radicalmente estrangeiras.

O poder dá somente a carteira de identidade falsa das palavras; ele lhes impõe um livre trânsito, determina seu lugar na produção (onde algumas fazem visivelmente horas extras); libera-lhes de algum modo sua caderneta de pagamento. Reconheçamos a seriedade do Humpty-Dumpty de Lewis Carroll que considera que toda a questão, para decidir o uso das palavras, é a de «saber quem será seu senhor, e ponto final». E ele, patrão social na matéria, afirma que paga em dobro àquelas que ele usa muito. Compreendamos também o fenômeno de insubmissão das palavras, sua fuga, sua resistência aberta, que se manifesta em toda a escrita moderna (desde Baudelaire até os dadaístas e Joyce), como o sintoma da crise revolucionária de conjunto na sociedade.

Sob o controle do poder, a linguagem designa sempre outra coisa que o vivido autêntico. É precisamente aí que reside a possibilidade de uma contestação completa. A confusão se desvela tal, na organização da linguagem, que a comunicação imposta pelo poder se revela como uma impostura e um logro. É em vão que um embrião de poder cibernético se esforce por colocar a linguagem sob a dependência das máquinas que ele controla, de tal modo que a informação seja doravante a única comunicação possível. Mesmo neste terreno, resistências se manifestam, e se está no direito de considerar a música eletrônica como uma tentativa, evidentemente ambígua e limitada, de reverter a relação de dominação, desviando (en détournant) as máquinas em proveito da linguagem. Mas a oposição é bem mais geral, bem mais radical. Ela denuncia toda «comunicação» unilateral, na arte antiga como no informacionismo moderno. Ela chama a uma comunicação que arruina todo poder separado. Aí onde há comunicação, não há Estado.

O poder vive de furto encoberto. Ele não cria nada, ele recupera. Se ele criasse o sentido das palavras, não haveria poesia, mas unicamente a «informação» útil. Não se poderia jamais se opor na linguagem, e toda recusa lhe seria exterior, seria puramente letrista. Ora, o que é a poesia, senão o momento revolucionário da linguagem, não separável enquanto tal dos momentos revolucionários da história e da história da vida pessoal?

A apropriação da linguagem pelo poder é assimilável à sua apropriação da totalidade. Somente a linguagem que perdeu toda referência imediata à totalidade pode fundar a informação. A informação é a poesia do poder (a contrapoesia da manutenção da ordem), é a trucagem mediatizada do que é. Inversamente, a poesia deve ser entendida enquanto comunicação imediata no real e modificação real deste real. Ela não é outra coisa que a linguagem libertada, a linguagem que reconquista sua riqueza e, quebrando seus signos, recobra ao mesmo tempo as palavras, a música, os gritos, os gestos, a pintura, as matemáticas, os fatos. A poesia depende, portanto, do nível da maior riqueza em que, em um estágio dado da formação econômico-social, a vida pode ser vivida e mudada. É então inútil precisar que esta relação da poesia para com sua base material na sociedade não é uma subordinação unilateral, mas uma interação.

Reencontrar a poesia pode se confundir com reinventar a revolução, como o provam à evidência algumas fases das revoluções mexicana, cubana ou congolesa. Entre os períodos revolucionários em que as massas, agindo, acedem à poesia, pode-se pensar que os círculos da aventura poética permanecem os únicos lugares em que subsiste a totalidade da revolução, como virtualidade inacabada, mas próxima, sombra de uma personagem ausente. De modo que, o que aqui é chamado de aventura poética é difícil, perigoso e, em todo caso, jamais garantido (de fato, trata-se da soma das condutas quase impossíveis numa época). Pode-se somente estar seguro daquilo que não é mais a aventura poética de uma época: sua falsa poesia reconhecida e permitida. Assim, enquanto o surrealismo, no tempo de seu assalto contra a ordem opressiva da cultura e do cotidiano, podia justamente definir seu armamento numa «poesia, se preciso sem poemas», trata-se hoje para a I.S. de uma poesia necessariamente sem poemas. E tudo o que dizemos da poesia não concerne em nada a obsoletos reacionários de uma neoversificação, mesmo alinhada aos menos antigos dos modernismos formais. O programa da poesia realizada não é nada menos do que criar ao mesmo tempo acontecimentos e sua linguagem, inseparavelmente.

Todas as linguagens fechadas — as dos agrupamentos informais da juventude, as que as vanguardas atuais, no momento em que elas se buscam e se definem, elaboram para seu uso interno, as que, outrora, transmitidas em produção poética objetiva para o exterior puderam chamar-se «trobar clus» ou «dolce stil nuovo» — todas têm por objetivo, e resultado efetivo, a transparência imediata de uma certa comunicação, do reconhecimento recíproco, do acordo. Mas semelhantes tentativas são o feito de grupos restritos, em diversos aspectos isolados. Os acontecimentos que eles puderam organizar, as festas que eles puderam dar-se a si mesmos, tiveram que permanecer nos mais estreitos limites. Um dos problemas revolucionários consiste em federar esses tipos de soviets, de conselhos da comunicação, a fim de inaugurar em todo lugar uma comunicação direta que não tenha mais que recorrer à rede da comunicação do adversário (isto é, à linguagem do poder) e possa, assim, transformar o mundo segundo seu desejo.

Não se trata de colocar a poesia a serviço da revolução, mas sim de colocar a revolução a serviço da poesia. É somente assim que a revolução não trai seu próprio projeto. Não reeditaremos o erro dos surrealistas colocando-se ao seu serviço quando precisamente ela não existia mais. Ligado à lembrança de uma revolução parcial rapidamente abatida, o surrealismo se tornou rapidamente um reformismo do espetáculo, uma crítica de uma certa forma do espetáculo reinante, conduzida no interior da organização dominante deste espetáculo. Os surrealistas parecem ter negligenciado o fato de que o poder impõe, para todo melhoramento ou modernização internos do espetáculo, sua própria leitura, uma decriptação da qual ele tem o código.

Toda revolução nasceu na poesia, fez-se de início pela força da poesia. Este é um fenômeno que escapou e continua a escapar aos teóricos da revolução — é verdade que não se pode compreendê-lo se se atém ainda à velha concepção da revolução ou da poesia — mas que geralmente foi sentido pelos contra-revolucionários. A poesia, lá onde ela existe, lhes faz medo; eles se obstinam a se desembaraçarem dela através de diversos exorcismos, do auto da fé
[Em português, no original] à pesquisa estilística pura. O momento da poesia real, que «tem todo o tempo diante dela» quer a cada vez reorientar, conforme seus próprios fins, o conjunto do mundo e todo o futuro. Tanto quanto dure, suas reivindicações não podem conhecer compromissos. Ele recoloca em jogo as dívidas não quitadas da história. Fourier e Pancho Villa, Lautréamont et os dinamiteiros das Astúrias — cujos sucessores inventam agora novas formas de greves —, os marinheiros de Kronstadt ou de Kiel e todos aqueles que, no mundo, com e sem nós, se preparam para lutar pela longa revolução, são também os emissários da nova poesia.

A poesia é cada vez mais claramente, enquanto lugar vazio, a antimatéria da sociedade de consumo, porque ela não é uma matéria consumível (segundo os critérios modernos do objeto consumível: equivalente para uma massa passiva de consumidores isolados). A poesia não é nada quando ela é citada, ela pode somente ser desviada (détournée), recolocada em jogo. O conhecimento da poesia antiga é, de outro modo, somente exercício universitário, realçando funções de conjunto do pensamento universitário. A história da poesia é somente, então, uma fuga diante da poesia da história, se entendermos por este termo não a história espetacular dos dirigentes, mas sim a da vida cotidiana, de sua ampliação possível; a história de cada vida individual, de sua realização.

Não se deve aqui deixar equívoco sobre o papel dos «conservadores» da poesia antiga, daqueles que aumentam a sua difusão à medida que, por razões outras, o Estado faz desaparecer o analfabetismo. Essas pessoas representam somente um caso particular dos conservadores de toda a arte dos museus. Uma massa de poesia é normalmente conservada no mundo. Mas não há em parte nenhuma os lugares, os momentos, as pessoas para revivê-la, comunicá-la entre si, fazer uso dela. Admitindo-se que isto não pode ser jamais senão no modo do desvio, porque a compreensão da poesia antiga mudou tanto por perda quanto por aquisição de conhecimentos; e porque em cada momento em que a poesia antiga pode ser efetivamente reencontrada, sua presentificação em momentos particulares lhe confere um sentido largamente novo. Mas, sobretudo, uma situação em que a poesia é possível não poderia restaurar nenhum fracasso político do passado (este fracasso sendo o que fica, invertido, na história da poesia, como êxito e monumento poético). Ela vai naturalmente em direção à comunicação — e às chances de soberania — de sua própria poesia.

Estreitamente contemporâneos da arqueologia poética que restitui seleções de poesia antiga recitadas em discos por especialistas, para o público do novo analfabetismo constituído pelo espetáculo moderno, os informacionistas empreenderam combater todas as «redundâncias» da liberdade para transmitir simplesmente ordens. Os pensadores da automatização visam explicitamente um pensamento teórico automático, por fixação e eliminação das variáveis na vida como na linguagem. Eles não param de achar ossos em seu queijo!
[«Ils n’ont pas fini de trouver des os dans leur fromage !» Uma possível equivalência em nossa língua talvez pudesse ser a de: «Encontrar pêlos em ovo».] As máquinas de tradução, por exemplo, que começam a assegurar a uniformização planetária da informação tanto quanto a revisão informacionista da antiga cultura, estão submetidas a seus programas preestabelecidos, aos quais deve escapar toda acepção nova de uma palavra, assim como suas ambivalências dialéticas passadas. Assim, ao mesmo tempo, a vida da linguagem — que se liga a cada avanço da compreensão teórica: «As idéias melhoram. O sentido das palavras participa disso» [Lautréamont, Poesias II. Trad. br. C. Willer. São Paulo: Iluminuras, 1997, p. 277] — se acha expulsa do campo maquinista da informação oficial, mas também o pensamento livre pode se organizar em vista de uma clandestinidade que será incontrolável pelas técnicas de polícia informacionista. A pesquisa de sinais indiscutíveis e de classificação binária instantânea vai tão claramente no sentido do poder existente, que ela dirá respeito à mesma crítica. Até em suas formulações delirantes, os pensadores informacionistas se comportam como pesados precursores diplomados de amanhãs que escolheram e que são justamente os que modelam as forças dominantes da sociedade atual: o reforço do Estado cibernético. Eles são os homens lígios de todos os suseranos da feudalidade técnica que se consolida atualmente. Não há inocência em sua bufonaria, eles são os bobos da corte.

A alternativa entre o informacionismo e a poesia não diz mais respeito à poesia do passado; assim como nenhuma variante daquilo que se tornou o movimento revolucionário clássico não pode mais, em nenhum lugar, ser contado numa alternativa real em vista da organização dominante da vida. É de um mesmo julgamento que extraímos a denúncia de uma desaparição total da poesia nas antigas formas em que ela pôde ser produzida e consumida, e o anúncio de seu retorno sob formas inesperadas e operantes. Nossa época não deve mais escrever instruções poéticas, mas executá-las.



All the King’s men (IS no 8, janeiro de 1963) ; All the king’s men
Comunicação prioritária (IS no 7, abril de 1962)
Mardi 10 juin 2008


(Sur l’air de la chanson d’Eugène Pottier)
Juin 1968


Aux barricad’s de Gay-Lussac,
Les Enragés en tête,
Nous avons déclenché lattaque :
Ah, foutre-dieu, quelle fête !
On jouissait dans les pavés
En voyant le vieux monde flamber.
Refrain :
Tout ça a prouvé, Carmela,
Qu
la Commune nest pas morte (bis).
Pour séclairer, les combattants
Foutaient l feu aux bagnoles :
Une allumette, et en avant,
Poésie du pétrole.
Et fallait voir les C.R.S.
Se faire griller les fesses !
 Au refrain
Les blousons noirs politisés
Ont saisi la Sorbonne.
Pour contester et pour briser,
Ils ne craignaient personne.
La théorie s réalisant,
On a pillé les commerçants.
Au refrain
Ce que tu produis tappartient,
Y a qu les patrons qui volent.
Te faire payer au magasin,
Cest se foutr de ta fiole.
En attendant d sautogérer
On fra la critiqu du pavé.
Au refrain
Tous les partis, les syndicats,
Et leur bureaucratie,
Oppriment le prolétariat,
Autant qu la bourgeoisie.
Contre lÉtat et ses alliés,
Formons des conseils ouvriers.
Au refrain
Le Conseil pour l’occupation
Crachait sur les trotskistes,

Les maoïsts et autres cons,
Exploiteurs de grévistes.
À la prochain ça va saigner
Pour les ennmis d la liberté.
Au refrain
Maintenant que les insurgés
Retournnt à la survie,
À lennui, au travail forcé,
Aux idéologies,
Nous sèmerons pour le plaisir
Dautres fleurs de mai à cueillir.
Final :
Tout ça pour prouver, Carmela,
Qu la Commune nest pas morte (bis).


ÉCOUTER & TÉLÉCHARGER LA CHANSON : Les Barricadiers


Dimanche 8 juin 2008


Communiqué

Notre camarade Louis Aragon au moment même où les piquets de grève de Flins tombaient écrivait les vers qu’on va lire.

Au sein même de la rédaction des Lettres françaises un mouvement a pris corps pour priver le poète et le révolutionnaire de la parole ; pour l’empêcher de s’exprimer dans les colonnes du journal qu’il a fondé.

Le Comité d’Action Poétique et Prolétarienne réprouve cette atteinte à la liberté d’expression dans un milieu qui jusqu’à maintenant était à l’avant-garde du combat culturel prolétarien. Nous regrettons profondément que notre camarade Louis Aragon ait estimé, par discipline, faire passer le militant avant le poète, le centralisme démocratique avant les luttes ouvrières. Nous estimons donc de notre devoir de donner à ce poème la diffusion la plus large.

«Tu peux camarade Aragon renier ou démentir provisoirement tes Poèmes des barricades. Comme Galilée obligé de se rétracter, et toujours fidèle à ton ardente jeunesse révolutionnaire, tu auras ouvert la voie, une fois de plus, à la jeune poésie.»

Un inédit de Louis Aragon

Sur les routes qui vont à Flins
Il y avait tant de polices
C.R.S. C.G.T. complices
Que l’on est resté en Chemin

Les ouvriers de Flins se battent
Presque sans aide et les menteurs
Ont appelé provocateurs
Ceux qui à leur secours se hâtent

Billancourt ne bougera pas
Les communistes sont aux portes
Propriétaires d’âmes mortes
Ennemis du prolétariat

Ce soir les cheminots oublient
Comment faire marcher les trains
Quand il s’agit d’aller à Flins
Et partout les grévistes plient

Honteuse fin de ce printemps
Qui commençait aux barricades
Ne l’oubliez plus camarades
Le stalinisme a fait son temps.

Le 8 juin à l’aube

Un groupe d’ouvriers et de travailleurs intellectuels employés par les organes de presse du Parti Communiste Français et les Éditions Sociales n’approuvent pas la ligne défaitiste adoptée par le bureau politique du parti de la classe ouvrière. Ils estiment que cette ligne erronée est une conséquence du manque de vigueur avec lequel la période du culte de la personnalité a été abolie au sein de notre parti. Ils ont constitué le Comité d’Action Poétique et Prolétarienne pour lutter contre ses séquelles.

À paraître : Poèmes des barricades
Et prochainement : Chants du gréviste de mai


Ce tract émanant d’un prétendu comité d’action poétique et prolétarienne constitué au sein du parti staliniste français soutenant, bien malgré lui, Aragon (connu pour sa longue et absolue soumission aux criminelles impostures staliniennes, mais autorisé sur le tard à exprimer quelques légères réserves), fut distribué par le C.M.D.O. en juin 1968. Ce pastiche fut écrit par Guy Debord, de même que le poème inédit d’Aragon.


Dossier Mai 68
Dimanche 8 juin 2008


Vendredi 7 juin, vers dix-huit heures, une manifestation s’était portée à la gare Saint-Lazare afin de rejoindre, en en appelant à la solidarité des cheminots, les camarades qui se battaient depuis le matin autour de Renault-Flins.
Les dirigeants syndicaux, sous des prétextes mensongers, détournèrent les manifestants vers Renault-Billancourt, en leur promettant que des camions les conduiraient de là vers Flins. À Billancourt, le mot d’ordre de dispersion fut donné pendant que les ouvriers de Flins et les camarades, qui avaient réussi à passer le matin, affrontaient seuls les C.R.S. et la gendarmerie nationale (la C.G.T. a traité ces camarades de provocateurs et ce jusquà lendormeur Geismar).

Samedi 8 juin, à dix heures trente se tint, aux Mureaux, un meeting improvisé à la hâte par les syndicats. L
accord tacite P.C.F.-F.G.D.S. a comme toujours fait entendre les voix dune pseudo-opposition (du discours électoral). Le dernier orateur, le ridicule maire F.G.D.S., fit emporter en toute hâte son propre matériel de sonorisation pour empêcher les ouvriers et les étudiants de parler. La grossièreté de ces manœuvres na pas échappé aux camarades qui déchiraient déjà leur carte syndicale, se voyant trahis.

Mais les syndicats ne faisaient que leur travail.

Les bureaucraties syndicales ont toujours été payées pour transformer la contestation radicale en luttes partielles. Leur survie exige le réformisme.

Les syndicats ignorent la lutte des classes, ils ne connaissent que les lois du marché, et dans leur commerce ils se prétendent propriétaires des travailleurs.

Ils ne peuvent que négocier avec le pouvoir ; quand ils ne s
identifient pas directement à lui, en organisant la répression sur les lieux mêmes du travail. Les syndicats sont lultime rempart du capitalisme, parce que pour eux «le but final nest rien, cest le mouvement qui est tout» et dans leurs mains, il nest plus rien.

La honteuse manœuvre pour empêcher de secourir les ouvriers de Flins n
est quune des répugnantes «victoires» des syndicats, dans leurs luttes contre la grève générale. Ce qui na pas été achevé cette fois le sera la prochaine fois.

Le mouvement actuel, en balayant les miettes revendicatrices des syndicats apeurés, a découvert sa richesse : les bureaucrates comme les patrons n
ont plus quà disparaître. Cette richesse sébauche déjà dans lorganisation autonome des ateliers qui organisent leurs propres liaisons et court-circuitent les tables découte syndicales. Les travailleurs nont pas dautre voie que la prise en main directe de léconomie et de tous les aspecrs de la reconstruction de la vie sociale, par des comités unitaires de base assurant leur autodéfense et se fédérant à léchelle régionale et nationale.
Lautogestion est la fin et le moyen de la lutte prolétarienne.
Finissons-en avec ceux qui décident à notre place.
Lémancipation des travailleurs sera lœuvre des travailleurs eux-mêmes ou ne sera pas.
Pas dunité avec les diviseurs.
Pas de liberté pour les ennemis de la liberté.
Vive le pouvoir international des Conseils ouvriers.

Paris, le 8 juin 1968
Conseil pour le maintien des occupations

Camarades, reproduisez ce tract par tous les moyens et diffusez-le au maximum.




Dossier Mai 68
Dimanche 8 juin 2008
Avril au Portugal

«Il n’y a guère d’homme au monde, qui se transformant en coquin pour mille thalers, n’eût préférer rester honnête homme pour la moitié de la somme.»
Lichtenberg.

L’après-midi du 8 juin 1971, trois individus se sont présentés rue de Grenelle, chez M. Julien Gracq. L’écrivain ouvrit lui-même, et se vit tout de suite barbouillé la gueule du contenu d’un pot métallique que lui apportaient ses visiteurs. Recul instinctif, suivi d’un cri d’ahurissement. Oui, c’était de la merde, stricto sensu.

En partant, ils ont laissé en guise de carte de visite cette simple phrase :
«De la part de nos amis du Portugal-Coimbra !»
Le 25 mars 1971 en effet, à Coimbra, l’écrivain français Julien Gracq, «compagnon de route» du surréalisme, faisait une conférence intitulée «Le surréalisme après la guerre - la postérité du surréalisme». Trop littérateur pour assumer les propos subversifs du surréalisme, et pas assez révolutionnaire pour dépasser les limites de ses moyens artistiques particuliers, Julien Gracq, «honnête homme» dans la décomposition culturelle contemporaine (il avait jadis refusé le Goncourt, s’il ne refuse pas aujourd’hui d’exporter Breton chez Caetano, pour le compte de Pompidou), s’il en était un, n’aurait certainement pas été gêné par l’intervention quelque peu insolente d’un groupe de jeunes gens — issus eux du surréalisme —, venus exprès afin d’empêcher le déroulement de cette scandaleuse conférence. Ainsi l’ont-ils fait, à l’aide de quelques injures appropriées, fiancées bien sûr, à des mots d’ordre qui en disaient long sur l’état d’esprit qui les animait :
«DÉPASSEMENT DE L’ART !», «NOTRE ÉPOQUE N’A PLUS À ÉCRIRE DES CONSIGNES POÉTIQUES, MAIS À LES EXÉCUTER !»
En allant au Portugal donner un cycle de conférences payées par l’Alliance Française, ce littérateur pour petites gens en mal de «merveilleux» a certainement pensé être suffisamment loin de la décomposition culturelle contemporaine, et pouvoir étaler chez l’indigène la marchandise culturelle surréaliste ; en fait, il n’en a été que trop près. Il n’était pas trop tôt pour l’en persuader ; comme il était effectivement trop tard pour réchauffer et mettre à la mode (ce qui se fait de toute façon contre lui-même) un courant qui, dans l’ambiance culturelle portugaise d’il y a vingt ans, avait été réellement d’avant-garde. En négligeant le rôle unificateur mondial du spectacle moderne, Julien Gracq a sous-estimé, dans un pays dit «sous-développé», le poids de sa négation modernisée.

Une plainte a été déposée par le Consulat Français et par l’Alliance Française, pour «injures envers un citoyen français», «atteinte à la moralité publique» et «insultes à la france» (la conférence avait été interrompue avec le cri surréaliste des années vingt : «À BAS LA FRANCE, À BAS L’OCCIDENT !», la présence de quelques sœurs dans l’enceinte ayant favorisé quelques propos iconoclastes). Plusieurs jeunes gens, identifiés, ont alors été convoqués à la Police ; dans les jours suivants leur dossier est passé à la D.G.S. (police politique, ex-P.I.D.E.). Les plus compromis d’entre eux ont alors été obligés de passer à l’étranger clandestinement.

 Julien Gracq aurait pu faire retirer cette plainte. Mais il a été tout heureux d’être défendu, d’avoir sa revanche ; et il a continué sa tournée, à coups d’interviews dans les quotidiens du Portugal. Sa bonne conscience s’est ainsi faite solidaire de la répression, notamment culturelle, dans un pays dont tout le monde connaît bien les traditions policières. Il n’a pas joué du Wagner dans un camp de concentration, c’est vrai. Peut-être parce qu’il n’aime pas Wagner. Il a tout simplement montré visiblement sa mesure, sous le couvre-feu culturel et politique de la libération Caetaniste, c’est-à-dire, de la spécificité régionale de la société moderne, marchande et spectaculaire.

Maintenant, il dévore sa merde en silence.

Juin 1971




Abril em Portugal

«Nao há nenhum homem no mundo, que tendo-se transformado num patife por mil taleres, nao tivesse preferido ficar homem honesto por metada da soma.»
Lichtenberg.

Na tarde do dia 8 de Junho de 1971, três individuos apresentaram-se na rua de Grenelle, em casa do Sr. Julien Gracq. Foi o próprio escritor a abrir, e encontrou-se imediatamente com a tromba besuntada com o conteúdo dum recipiente metálico que os visitantes lhe traziam. Recuo instinctivo, seguido dum grito de pasmo. Era merda, stricto sensu.

Ao partir, deixarem à laia de carta de visita esta simples frase :
«Da parte dos nossos amigos de Portugal-Coimbra !»
Efectivamente, a 25 de Março de 1971, em Coimbra, o escritor francês Julien Gracq, «compagnon de route» do surrealismo, proferia uma conferência intitulada «O surrealismo no apôs-guerra - a posteridade do surrealismo». Demasiado literato para assumir os propósitos subversivos do surrealismo e demasiado pouco revolucionário para superar os limites dos seus meios artisticos particulares, julien Gracq, «honesto homem» na decomposiçao cultural contemporânea (recusou em tempos o Goncourt, mesmo se nao recusa hoje exportar Breton para Caetano, por conta de Pompidou), se ele o fosse, nao teria certamente ficado embaraçado pela intervençao algo pouco insolente dum groupo de jovens — eles sim, saidos do surrealismo —, vindos propositadamente impedir o desenrolar desta escandalosa conferência. Assim o fizeram com a ajuda de algumas injúrias apropriadas, evidentemente aliadas a palavras de ordem bem significativas quanto no estado de espirito que os animava :
«SUPERÇAO DA ARTE !», «A NOSSA EPOCA JÁ NAO TEM A ESCREVER CONSIGNAS POÊTICAS, MAS A EXECUTÁ-LAS !»
Ao ir a Portugal dar um ciclo de conferências pagas pela Alliance Française, este literato para mangas de alpaca doentes de «maravilhoso», certamente pensou estar suficientement longe da decomposiçao cultural contemporânea, e poder apresentar ao indigena a mercadoria cultural surrealista ; na realidade, ele estava bem perto. Nao era demasiado cedo para de tal o convencer ; como era efectivamente demasiado tarde para reaquecer e pôr à moda (o que de qualquer maneira se faz contra ele próprio) uma corrente que no ambiente cultural português de há vinte anos, tinha sido realmente de vanguarda. Ao negligenciar o papel unificador mundial do espetáculo moderno, Julien Gracq substimou num pais dito «sub-desenvolvido», o pêso da sua negaçao modernizada.

Uma queixa foi depositada pelo Consulado Francês e pela Alliance Française, por «injúrias a um cidadao francês», «atentado à moral pública» e «insultos à França» (a conferência tinha sido interrompida com o grito surrealista dos anos  vinte : «ABAIXO A FRANÇA, ABAIXO O OCIDENTE !», tendo a presença de algumas freiras no recinto, favorecido alguns propositos iconoclastas). Vários jovens identificados foram entao convocados à Policia ; nos dias seguintes o seu dossier passou à D.G.S. Os mais comprometidos de entre eles foram entao obrigados a passar ao estrangeiro clandestinamente.

Julien Gracq teria podido retirar esta queixa. Mas ficou contentissimo de ser defendido, de ter a sua desforra ; e continuou a sua tournée, a grande reforço de entrevistas para os quotidianos de Portugal. A sua boa consciência tornou-se assim solidária da repressao, nomeadamente cultural, num pais de que toda a gente conhece bem as tradiçoes policiais. Ele nao tocou Wagner num campo de concentraçao, é verdade. Talvez porque nao goste de Wagner. Muito simplesmente
mostrou visivelmente o que valia, sob o couvre-feu cultural e politico da liberalizaçao Caetanista, isto é, da espicificidade regional da sociedade moderne, mercantil e espectacular.

Agora, devora a sua merda em silêncio.

Junho de 1971
Jeudi 5 juin 2008









D’après la loi française, les affiches officielles sont les seules pour lesquelles est autorisée l’impression en noir sur papier blanc. Selon un vieux principe illégaliste et antiétatiste, en mai 1968 le C.M.D.O. imprima ses affiches en blanc sur fond noir.


Dossier Mai 68
Mercredi 4 juin 2008


Nous sommes partis de rien pour parvenir à la misère,
oui.
La gratuité du geste, l’organisation spontanée de la production aux mains des producteurs, la réalité de la nécessité immédiate, l’organisation passionnelle et la générosité complice, c’est la fraternisation consciente de ce que l’on construit : le pouvoir des conseils ouvriers.

La loyauté théorique doit trouver sa pratique : la conscience de sa réalité.

Ainsi
Changer la vie, savoir mourir, pratiquer la fête fouriériste, vivre le quotidien, espérer du désespoir, c’est savoir 1905, Cronstadt, la Catalogne, Budapest 1956

Aussi
Détruire le pouvoir sans le prendre. Détruire pour être l’autre et soi-même.

La poésie vécue n’est pas autre chose.


La liberté, par le renversement des rapports, trouve son moment de construction. Ainsi ne plus dire : «Pardon, monsieur l’agent», mais : «Crève… salope !» implique :
l’internationalisation du vécu.

La conscience est la seule à ne pas tomber dans le piège du constructivisme. C’est, pour le moment, la seule poésie de la rue en marche. Le programme minimum est l’acte de destruction : c’est, par excellence, l’acte politique. À cela pas de contrôle, pas de règle. La révolution ne peut être que quotidienne, si l’on veut lutter contre la fascination du pouvoir. Le désir de domination reste encore la loi du moment, la mentalité d’esclave affranchi, le vertige d’obéissance pour être obéi, la mystique des institutions et la religion de l’ordre. Extirper le fascisme et faire mourir Dieu passe par le chaos.

Notre vie est en cause, ne nous arrêtons pas par peur de la perdre. Les loups sont aux aguets. La vie est courte. On est tous des seigneurs ou on n’est rien. À cette condition le travail devient un grand éclat de rire, ou tout.

Je nous aime tous.

Vive le pouvoir des conseils ouvriers.
À bas l’autogestion yougoslave.

Une camarade yougoslave qui en sait long


Dossier Mai 68
Mardi 3 juin 2008


L’Internationale situationniste témoigne de sa reconnaisance envers un mécène. Walter Lewino a publié en juin 1969 au Terrain vague un bel ouvrage, contenant des clichés des principaux slogans peints sur les murs du Quartier latin en mai 1968 : L’Imagination au pouvoir. Considérant que les Enragés et situationnistes ont peint la plupart des inscriptions, et qu’ils en sont du même coup les auteurs, il a versé à l’Internationale situationniste la moitié de l’à-valoir consenti par l’éditeur. Ce message inédit et collectif est donc un mot de remerciement. Ce document m’a été communiqué par Walter Lewino.
Christophe Bourseiller, Vie et mort de Guy Debord.


Dossier Mai 68
L’Imagination au pouvoir
Mardi 3 juin 2008


À Paris, déchirant les carcans organisationnels du vieux monde, la force révolutionnaire s’est libérée dans la rue : provocations, bagarres, barricades, insurrection d’étudiants dans les paniers à salade.

À Bordeaux, vous ne vivez qu’au niveau du spectacle «étudiant-parisien».

La fausse conscience révolutionnaire se caractérise par son niveau d’aliénation au soleil du spectacle idéologique (quand la conscience pourrit, l’idéologie suinte) — elle mystifie le don de sa propre vie en se livrant au plus offrant.

La passivité exemplaire développée consciemment par les appareils bureaucratiques ne fait que développer la contemplation et l’autosatisfaction en retour des leaders. Elle n’arrive qu’à poser de pseudo-actes à travers de pseudo-événements, sous le couvert de pseudo-discussions.

Vos manifestations n’étaient que des promenades.

Votre occupation n’est qu’une préoccupation.

Tout acte créateur au niveau subjectif, même le plus faible, est perçu comme perturbateur du vaste ensemble spectaculaire qui s’édifie à Pessac-Université.

Réglez vos affaires vous-mêmes.

Ce n’est pas seulement cette université qui est à crever, c’est toute la société marchande.

À vous de jouer, camarades…

Comité pour le maintien des occupations (Bordeaux)


Dossier Mai 68
Lundi 2 juin 2008


Où se niche l’honneur du publicitaire ?

Nulle part. Bien sûr, les publicitaires sont au service de la société de consommation. Seulement, ils l’avouent. Alors que les journalistes, sociologues, urbanistes… le sont aussi et ne l’avouent pas.

Les publicitaires font la société de consommation.

Ils ne la font pas du tout. Ils en sont le produit.

Que pourraient faire les publicitaires dans une société révolutionnaire ?

N’importe quoi d’autre. S’il y a encore des publicitaires, c’est que c’est encore une société de consommation (vendre quelque chose, objet, loisirs, culture, comme une promesse absolue de bonheur). S’il y a encore des publicitaires, c’est que la révolution n’a pas réussi.

Il y a des publicitaires de l’autre côté du rideau de fer ? Le bruit court, en effet, que de ce côté-là les révolutions n’ont pas réussi.

Les publicitaires ont une noble tâche : l’information.

N’importe quel journaliste très moyen peut dire très vite que cinq usines produisent des spaghetti de qualité semblable à des prix sensiblement égaux.

Les publicitaires ont une noble tâche : le marketing.

Il faut peut-être une équipe de professionnels très malins pour trouver sur quel détail on arrivera à vendre une même voiture. Si les choses prenaient une tournure révolutionnaire, on n’aura pas grand besoin des hommes du marketing pour savoir, par exemple, que les gens ont plus besoin de logements que de voitures.

Les publicitaires disposent de grands moyens d’action.

Erreur. Les publicitaires sont un service tertiaire qui ne produit rien et n’a pratiquement pas de moyens d’action. Ce sont les annonceurs qui, en temps normal, ont de grands moyens d’action. Et en cas d’occupation des imprimeries, ce sont les ouvriers qui les ont.

Les publicitaires doivent se mettre immédiatement au travail : concevoir ensemble une société révolutionnaire.

Vraissemblablement, un grand nombre de publicitaires n’ont pas attendu le 30 mai 1968 pour s’apercevoir qu’il existe des problèmes politiques ou théoriques. Tous ceux-là sont arrivés à des conclusions, qui sont forcément très diverses. Ils travaillent — ou ne travaillent pas — avec des groupes.

Quant aux autres… s’ils se mettent à réfléchir à la question, qu’ils le fassent en tant qu’individus, pas en tant que publicitaires. On n’est quand même pas aliénés à ce point-là, non ?

Que peut faire, actuellement, un Comité d’action des publicitaires ?

Uniquement, sans chercher à couper les cheveux en quatre et à se définir comme un groupe cohérent, ramasser tous les moyens matériels d’impression possibles, et éditer
des appels correspondant au plus grand commun dénominateur de tous les partis révolutionnaires en formation.

Proposition : du Mouvement du 22 mars en allant vers la gauche.


Texte repoussé lors de la séance du 30 mai à la Sorbonne
du Comité d’action des publicitaires




Dossier Mai 68
Dimanche 1 juin 2008


«Enragés de tous les pays, unissez-vous !»

Camarades,

La fureur de vivre qui déferla sur le Quartier latin a jailli dans l’histoire comme une de ces prodigieuses bouffées de joie qui prennent à la gorge un monde où la garantie de ne plus mourir de faim s’échange contre la certitude de crever d’ennui. Le sang des flics enivre, et précieux sont les moments où la vie émerge si intensément des cloaques de l’inauthentique, pour moucher avec élégance plus d’un baveux humaniste. Enfin libérés de la gangue des contraintes et de l’esseulement, nos désirs par trop longtemps inasso
uvis s’y sont payé là une belle tranche de plaisir. Ceci n’est qu’un début, qu’on se le dise ! La politicaille de gauche, cette fois encore, a su rétablir l’Ordre mieux que quiconque. Mais ce n’est que partie remise, dans la danse infernale qui charrie les prodromes. À l’aube rouge des fêtes insurrectionnelles, le vieux Monde crépusculaire d’Est et d’Ouest, partout vacille en ses brasiers. Tokyo ! Berlin ! Los Angelès ! Prague ! Turin ! Varsovie ! Stockholm ! D’ores et déjà, les ondes de choc que déploient ces ironies flambées de colère, commencent à interférer dans le décor pétrifié de la vie quotidienne, balayant toute entrave à leurs débordements dionysiaques.

Les splendides échauffourées qui incendièrent quelques nuits parisiennes ont foutu la chiasse à toute la tripotée des dirigeants C.G.T.-P.C.F.-P.S.U.-F.G.D.S.-C.F.T.C.-F.O.-S.N.E.S. et autres ganaches du même acabit. Vomissant d’abord les pires insanités à l’encontre du tour insurrectionnel pris très vite par la révolte étudiante, la canaille réformiste eut tôt fait de se l’approprier, non sans l’avoir salement garrottée par l’entremise de cette louvoyante putain d’U.N.E.F., à des fins politiques dont on sait bien la redondante trivialité. Des hordes rageuses qui tinrent les barricades au troupeau bêlant du 13 mai, il n’y eut que le temps d’un pourrissement savamment orchestré par la vermine qui entretient dans les masses — naïves, trop naïves — la croyanc
e quasi-débile qu’une autre baudruche gouvernementale changerait quelque chose à l’affaire. On se fout de nous ! On ne s’en foutra pas longtemps.

À la puante séduction du «dialogue» on reconnaît l’ultime déguisement de la répression-récupération. Haleine fétide sous le sourire dégoulinant — une chiennerie policière qui s’est recyclée : la main tendue prolonge la matraque tandis que la culture spectaculaire congelée d’hier et d’aujourd’hui asphyxie ô combien plus sûrement que les gaz lacrymogènes. Crachons sur l’offrande ! Crachons sur la fripouille dialoguante et ses sordides réformes dont certains pour
raient bien avoir la veulerie de se satisfaire. C’est l’eau croupie des marécages de la servilité qui nous guette, une fois le calme revenu dans les esprits.

Aussi nous faut-il, alors que s’est élaboré les 13-14-15-16 mai une tentative de démocratie directe à la base dans les facultés occupées, soutenir et répandre au plus loin l’agitation anti-bureaucratique, afin qu’elle gagne la classe ouvrière toujours hiérarchiquement jugulée par la pègre des grands p
ontes syndicaux. Noyaux de résistance lucide, les minorités agissantes doivent engager, à partir de zones-clés, une permanente guérilla de harcèlement contre le pouvoir dont la stratégie d’ensemble recouvre en négatif la configuration essentielle du système à détruire — une manière grandiose de lui sucer la moelle, qui nous fortifie en l’affaiblissant. Livrée à l’impitoyable jeu subversif, la machine sociale regorge de ressources passionnantes à exploiter. Sabotages, falsifications, détournements, fraudes, boycotts… que la créativité en liesse se donne libre cours — tempête démocratique des jouissances illicites — et nombreux sont les goûts ou talents qui vont s’y révéler ! Tout finira bien un jour par redescendre dans la rue.

Grèves sauvages et saines furies, quand elles surviendront, auront à se reconnaître dans leur cristallisation les plus éthérées. Beau comme un pavé dans la gueule d’un flic, le meurtre, en dernier ressort, s’épanouit aux confins de la sublime efficacité. Quant aux pillages et autres jolies initiatives de passer outre, ils doivent être tenus pour les plus hauts faits de notre lutte vers le dépassement effectif du monde de la marchandise et des rapports sociaux réifiés. Face aux vitrines — miroirs déformants où notre image humaine s’est perdue, roidie par l’argent — le regard n’a trop souvent rencontré que les choses et leur prix. Finissons-en ! Ce n’est que dans et par une telle praxis que les forces révolutionnaires renaissantes accèderont à une claire conscience de leur lutte. Pas de meilleur décapant pour les moisissures idéologiques !

Alors qu’aucune contestation radicale, depuis bien longtemps, ne chevauche plus la haridelle ankylosée des vieux appareils bureaucratiques de gauche, voilà qu’on rivalise de bouffons mensonges dans la fange des petits chefs de groupuscules trotskystes (J.C.R., F.E.R., V.O.), prochinois (U.J.C.M.L.F., C.V. base) et anarchistes-à-la-Cohn-Bendit. Réglons nos affaires nous-mêmes ! Sous la coupe des dirigeants vermoulus, l’unité ne sera jamais que celle de la soumission. Le projet révolutionnaire doit devenir effectivement ce qu’il était déjà substantiellement et sa cohérence globale transparaître à ses concrétisations successives comme l’immanence du tout aux parties. Qu’on y prenne garde ! Ce qui se perd en contestation partielle rejoint la fonction oppressive du Vieux Monde. Bourde sénile s’il en est, la seule critique de l’Université bourgeoise fait rire, hors de sa connexion à toute la société de classes qu’il nous faut supprimer — c’est-à-dire
dépasser dialectiquement par et pour l’Autogestion généralisée — en son noyau même : la vile et vaine prostitution humaine du travail aliéné. Mort au salariat ! Mort à la survie ! Déjà n’entendez-vous pas au loin sonner l’hallali ? Vieux Monde traqué, tu t’essouffles ! On te crèvera, charogne !

Vive la Zengakuren (Japon) !
Vive le Comité de salut public des Vandalistes (Bordeaux) !
Vivent les Enragés (Nanterre) !
Vive l’Internationale situationniste !
Vive la révolution de la vie quotidienne !

Les Enragés de Montgeron




Dossier Mai 68
Samedi 31 mai 2008
Dossier Mai 68
Le commencement d’une époque (1 - 2 - 3 - 4)



Nous ne pensons pas avoir évité de commettre des fautes. C’est encore pour l’instruction de camarades qui peuvent se trouver ultérieurement dans des circonstances similaires, que nous les énumérons ici.


Dans la rue Gay-Lussac, où nous nous retrouvions par petits groupes rassemblés spontanément, chacun de ces groupes rencontra plusieurs dizaines de personnes connues, ou qui seulement nous connaissaient de vue et venaient nous parler. Puis chacun, dans l’admirable désordre que présentait ce «quartier libéré», même longtemps avant l’inévitable attaque des policiers, s’éloignait vers telle «frontière» ou tel préparatif de défense. De sorte que, non seulement tous ceux-là restèrent plus ou moins isolés, mais nos groupes mêmes, le plus souvent, ne purent se joindre. Ce fut une lourde erreur de notre part de n’avoir pas tout de suite demandé à tous de rester groupés. En moins d’une heure, un groupe agissant ainsi eût inévitablement fait boule de neige, en rassemblant tout ce que nous pouvions connaître parmi ces barricadiers — où chacun de nous retrouvait plus d’amis qu’on en rencontre au hasard en une année dans Paris. On pouvait ainsi former une bande de deux à trois cents personnes, se connaissant et agissant ensemble, ce qui justement a le plus manqué dans cette lutte dispersée. Sans doute, le rapport numérique avec les forces qui cernaient le quartier, environ trois fois plus nombreuses que les émeutiers, sans parler même de la supériorité de leur armement, condamnait de toute façon cette lutte à l’échec. Mais un tel groupe pouvait permettre une certaine liberté de manœuvre, soit par quelque contre-charge sur un point du périmètre attaqué, soit en poussant les barricades à l’est de la rue Mouffetard, zone assez mal tenue par la police jusqu’à une heure très tardive, pour ouvrir une voie de retraite à tous ceux qui furent pris dans le filet (quelques centaines n’échappant que par chance, grâce au précaire refuge de l’École Normale Supérieure).

Barricade spartakiste
«Noske tire avec l’artillerie — Spartakus n’a que l’infanterie — Les grenades frappent dans nos rangs — Les chiens de Noske donnent l’assaut à Büxenstein.»
Chanson des ouvriers, soldats et matelots de Berlin, 1919
citée in Georges Glaser, Secret et violence.
«Rue Gay-Lussac, les rebelles — n’ont que les voitures à brûler…
Ils nous lancent comme grêle — grenades et gaz chlorés — Nous ne trouvons que des pelles — et couteaux pour nous armer.»


Au Comité d’occupation de la Sorbonne, nous avons fait, v
u les conditions et la précipitation du moment, à peu près tout ce que nous pouvions faire. On ne peut nous reprocher de n’avoir pas fait davantage pour modifier l’architecture de ce triste édifice, dont nous n’eûmes même pas le temps de faire le tour. Il est vrai qu’une
chapelle y subsistait, fermée, mais nous avions appelé par affiche les occupants — et Riesel également dans son intervention à l’assemblée générale du 14 mai — à la détruire au plus vite. D’autre part, «Radio-Sorbonne» n’existe nullement en tant qu’appareil émetteur, et on ne doit donc pas nous blâmer de ne pas l’avoir employé. Il va de soi que nous n’avons pas envisagé ni préparé l’incendie du bâtiment, le 17 mai, comme le bruit en a couru alors à la suite de quelques calomnies obscures des groupuscules : cette date suffit à montrer combien le projet eût été impolitique. Nous ne nous sommes pas davantage dispersés sur les détails, quelque utilité qu’on puisse leur reconnaître. Ainsi, c’est pure fantaisie quand Jean Maitron avance que «le restaurant et la cuisine de la Sorbonne… sont restés jusqu’en juin contrôlés par les “situationnistes”. Très peu d’étudiants parmi eux. Beaucoup de jeunes sans travail.» (La Sorbonne par elle-même, p. 114, Éditions Ouvrières, 1968). Nous devons toutefois nous reprocher cette erreur : les camarades chargés d’envoyer au tirage les tracts et déclarations émanant du Comité d’occupation, à partir de 17 heures le 16 mai, remplacèrent la signature «Comité d’occupation de la Sorbonne» par «Comité d’occupation de l’Université autonome et populaire de la Sorbonne», et personne ne s’en avisa. Il est sûr que c’était une régression d’une certaine portée, car la Sorbonne n’avait d’intérêt à nos yeux qu’en tant que bâtiment saisi par le mouvement révolutionnaire, et cette signature donnait à croire que nous pouvions reconnaître le lieu comme prétendant encore être une Université, fut-elle «autonome et populaire» ; chose que nous méprisons en tout cas, et qu’il était d’autant plus fâcheux de paraître accepter en un tel moment. Une faute d’inattention, moins importante, fut commise le 17 mai quand un tract, émanant d’ouvriers de la base venus de Renault,  fut diffusé sous la signature «Comité d’occupation». Le Comité d’occupation avait certes bien fait de fournir des moyens d’expression, sans aucune censure, à ces travailleurs, mais il fallait préciser que ce texte était rédigé par eux, et se trouvait seulement édité par le Comité d’occupation ; et ceci d’autant plus que ces ouvriers, appelant à continuer les «marches sur Renault», admettaient encore à cette heure l’argument mystifiant des syndicats sur la nécessité de garder fermées les portes de l’usine, pour qu’une attaque de la police ne pût pas prendre prétexte et avantage de leur ouverture.

Le C.M.D.O. oublia de faire porter sur chacune de ses publications la mention «imprimé par des ouvriers en grève», qui certainement eût été exemplaire, en parfait accord avec les théories qu’elles évoquaient, et qui eût donné une excellente réplique à l’habituelle marque syndicale des imprimeries de presse. Erreur plus grave : tandis qu’un usage excellent était fait du téléphone, nous avons complètement négligé la possibilité de nous servir des téléscripteurs qui permettaient de toucher quantité d’usines et de bâtiments occupés en France, et d’envoyer des informations dans toute l’Europe. Singulièrement, nous avons négligé le circuit utilisable des observatoires astronomiques, qui nous était accessible au moins à partir de l’Observatoire occupé de Meudon.

Mais ceci dit, et s’il s’agit de formuler un jugement sur l’essentiel, toutes ces entreprises de l’I.S. rassemblées et considérées, nous ne voyons point en quoi elle mériterait d’être blâmée.

Citons maintenant les principaux résultats du mouvement des occupations, jusqu’ici. En France, ce mouvement a été vaincu, mais d’aucune manière écrasé. C’est sans doute le point le plus notable, et qui présente le plus grand intérêt dans la pratique. Il semble que jamais une crise sociale d’une telle gravité n’avait fini sans qu’une répression ne vienne affaiblir, plus ou moins durablement, le courant révolutionnaire ; comme une sorte de contrepartie dont il doit s’attendre à payer l’expérience historique qui, chaque fois, a été portée à l’existence. On sait qu’aucune répression proprement politique n’a été maintenue, quoique naturellement, en plus des nombreux étrangers expulsés administrativement, plusieurs centaines d’émeutiers se soient trouvés condamnés, dans les mois suivants, pour des délits dits «de droit commun» (si plus d’un tiers de l’effectif du Conseil pour le maintien des occupations avait été arrêté dans les divers affrontements, aucun de ses membres ne tomba dans cette rubrique, le mouvement de retraite du C.M.D.O., à la fin de juin, ayant été fort bien conduit). Tous les responsables politiques qui n’avaient pas su échapper à l’arrestation à la fin de la crise ont été libérés après quelques semaines de détention, et aucun n’a été traduit devant un tribunal. Le gouvernement a dû se résoudre à ce nouveau recul rien que pour obtenir une apparence de rentrée universitaire calme, et une apparence d’examens à l’automne de 1968 ; la seule pression du Comité d’action des étudiants en médecine obtint cette importante concession dès la fin du mois d’août.

L’ampleur de la crise révolutionnaire a gravement déséquilibré «ce qui a été attaqué de front… l’économie capitaliste fonctionnant bien» (Viénet), non certes du fait de l’augmentation, tout à fait supportable, consentie sur les salaires, ni même du fait de l’arrêt total de la production pendant quelques semaines ; mais surtout parce que la bourgeoisie française a perdu sa confiance dans la stabilité du pays : ce qui — rejoignant les autres aspects de l’actuelle crise monétaire des échanges internationaux — a entraîné l’évasion massive des capitaux et la crise du Franc apparue dès novembre (les réserves en devises du pays sont tombées de 30 milliards de Francs en mai 1968 à 18 milliards un an après). Après la dévaluation retardée du 8 août 1969, Le Monde du lendemain commençait à s’apercevoir que «le Franc, comme le général, était “mort” en mai».

Le régime «gaulliste» n’était qu’un bien mince détail dans cette mise en question générale du capitalisme moderne. Pourtant le pouvoir de de Gaulle a reçu, lui aussi, le coup mortel en mai. Malgré son rétablissement de juin — objectivement facile, comme nous l’avons dit, puisque la véritable lutte avait été perdue ailleurs —, de Gaulle ne pouvait effacer, comme responsable de l’État qui avait survécu au mouvement des occupations, la tare d’avoir été responsable de l’État qui avait subi le scandale de son existence. De Gaulle, qui ne faisait que couvrir, dans son style personnel, tout ce qui arrivait — et ce cours des choses n’était rien d’autre que la modernisation normale de la société capitaliste — avait prétendu régner par le prestige. Son prestige a subi en mai une humiliation définitive, subjectivement ressentie par lui-même aussi bien qu’objectivement constatée par la classe dominante et les électeurs qui la plébiscitent indéfiniment. La bourgeoisie française recherche une forme de pouvoir politique plus rationnelle, moins capricieuse et moins rêveuse ; plus intelligente pour la défendre des nouvelles menaces dont elle a constaté avec stupeur le surgissement. De Gaulle voulait effacer le mauvais rêve persistant, «les derniers fantômes de mai», en gagnant, le 27 avril, ce référendum annoncé le 24 mai, et que l’émeute avait annulé dans la même nuit. Le «pouvoir stable» qui a trébuché alors sentait bien qu’il n’avait plus retrouvé son équilibre, et il tenait imprudemment à être vite rassuré par un rite de réadhésion factice. Les slogans des manifestants du 13 mai 1968 ont été justifiés : de Gaulle n’a pas atteint son onzième anniversaire ; non certes du fait de l’opposition bureaucratique ou pseudo-réformiste, mais parce que, le lendemain, on vit que la rue Gay-Lussac débouchait directement sur toutes les usines de France.

Un désordre généralisé, qui met en cause à leur racine toutes les institutions, s’est installé dans la plupart des facultés, et surtout dans les lycées. Si, se limitant au plus urgent, l’État a sauvé à peu près le niveau de l’enseignement dans les disciplines scientifiques et les grandes écoles, ailleurs l’année universitaire 1968-69 a été bel et bien perdue, et les diplômes sont effectivement dévalués, alors même qu’ils sont encore loin d’être méprisés par la masse des étudiants. Une telle situation est, à la longue, incompatible avec le fonctionnement normal d’un pays industriel avancé, et amorce une chute dans le sous-développement, en créant un «goulot d’étranglement» qualitatif dans l’enseignement secondaire. Même si le courant extrémiste n’a gardé en réalité qu’une base étroite dans le m